A necessidade de reduzir os gastos energéticos e flexibilizar a produção resultante da crise económica dos anos 70, levou à adopção de um padrão de acumulação (baseado numa nova estrutura organizacional e tecnológica), que concede prioridade a serviços e produtos baseados em recursos não esgotáveis, como informação e conhecimento.
Falar, hoje, de Sociedade do Conhecimento é falar de pontes entre a Ciência, as Novas Tecnologias e a Sociedade como um todo, incluindo a introdução das tecnologias de informação e comunicação em todos os sectores, destacando-se a Administração Pública.
A importância da informação na nova base tecnológica é comparada à da energia na Revolução Industrial, o que explica as metáforas utilizadas para traduzi-la: Revolução Informacional, Revolução da Informação, Era da Informação etc. O desenvolvimento tecnológico permite a associação da micro electrónica, da engenharia genética e da microbiologia para a formação de novos materiais e substituição de outros, o que acarreta redução nos custos de produção, transporte, energia, etc.
Os efeitos da adopção de uma nova base tecnológica
O grande volume de informações e a sofisticação dos mecanismos de acesso têm, como consequência a exclusão de parte da população mundial. Se antes a leitura e a escrita proporcionavam ao indivíduo a ponte de acesso ao mundo do conhecimento, hoje este, está condicionado ao manuseamento de ferramentas tecnológicas. Enquanto alguns indivíduos brindam a nova realidade informacional, outros sentem-se fragilizados e incapazes de interagir positivamente neste novo cenário, que requer novas habilidades e uma adaptação constante ás mudanças.
O meio digital reúne características que poderiam indicá-lo sucessor da imprensa como principal disseminador do conhecimento actual e, tal qual ela o fez no seu tempo, redimensionar as possibilidades de acesso e transmissão do conhecimento, contribuindo para o estabelecimento de novas formas de obter conhecimento e de comunicar.
Alguns pensadores identificam a centralização dos meios de comunicação e informação nos países desenvolvidos como um novo modelo de dominação, uma tentativa de ocidentalização do mundo por meio de imagens e informações que veiculam o modo de vida ocidental (dos países ricos) como universal. Apesar de algumas sociedades se mostrarem mais preparadas para actuarem na sociedade de informação, pensar este modelo como global é não reconhecer as diferenças materiais, culturais, tecnológicas e sócio-económicas que compõem o restante tecido mundial.
Um novo modelo de sociedade
A partir do diagnóstico do crescimento do sector de serviços e da sofisticação do processo produtivo, previu-se o aparecimento da sociedade pós-industrial, uma sociedade de informação que se caracterizaria pela fusão da ciência com o processo produtivo, pela concentração de empregos especializados e pela crescente solicitação de empregados dotados de conhecimento. Este modelo de sociedade estruturar-se-ia de forma a desenvolver um maior poder de inovação tendo no sector dos serviços (negócios) a sua força motriz e no conhecimento a sua alavanca.
Como a ciência passaria a ser parte integrante do processo produtivo, os indivíduos capazes de gerir e acumular esse saber teriam um espaço privilegiado no mundo do trabalho.A propriedade privado dos meios de produção dá lugar á propriedade privada do conhecimento resultando na imersão de um novo modelo de sociedade: a sociedade de informação.Uma sociedade onde a estratificação social organizar-se-ia em torno do controlo e do acesso ao conhecimento.
Vemos a sociedade da informação como sucessora da sociedade industrial e impulsionadora de uma nova etapa do desenvolvimento humano, profundamente marcada pelas tecnologias de informação e pelo deslocamento da produção de bens materiais para a produção de informação.
Em suma destaca-se como grande diferença na economia actual, não a mudança da base tecnológica, mas fundamentalmente a mudança do padrão de produção, que passa a ser centrado na difusão e criação de conhecimento.
Sociedade de informação = Sociedade de cientistas?
As sociedades serão informacionais, não porque se enquadrem num modelo particular de estrutura social, mas porque elas organizam o sistema produtivo em torno de princípios de maximização da produtividade baseada no conhecimento.Contudo, a centralização da sociedade em torno de uma casta de cientistas não se concretizou, assim como se mostra ilusória a substituição do homem pela máquina.Ressalta então, que a sociedade pós-industrial não cria somente ocupações ricas em conhecimento, mas uma quantidade significativa de empregos que requerem baixa qualificação. Estes empregos de baixa qualificação, apesar de sua pequena taxa de crescimento, podem vir a representar uma proporção substancial da estrutura da sociedade pós-industrial em termos de números absolutos. Noutras palavras, as sociedades de informação do futuro podem caracterizar-se também por uma crescente polarização da estrutura social, onde o topo e a base aumentam a sua participação em detrimento do meio.
Identifica-se ainda a incapacidade do sector de serviços de informação em absorver a totalidade dos trabalhadores, visto que o número de postos de trabalho gerados por este sector será muitas vezes inferior à procura, ou seja, a indústria da informação, por si só, não tem condições de absorver a massa de desempregados.
As organizações multinacionais direccionam recursos para a pesquisa de tecnologias de informação e comunicação, que se utilizam para a concretização de negócios e obtenção de lucro. Estudos identificam essas organizações como as principais utilizadoras dessas tecnologias, cujo suporte técnico é fundamental para a sua estratégia de expansão mundial .
Novas moeda de troca : INFORMAÇÃO e CONHECIMENTO!
Sob essa óptica a tecnologia que move a revolução da informação seria então financiada e desenvolvida em função da lógica de acumulação capitalista e não de um projecto de integração social, favorecendo a emergência de uma elite que domina o fluxo global de informações, formada pelos dirigentes das grandes multinacionais, pela nata do capital financeiro, pelos líderes dos países mais desenvolvidos. Conclui-se então que a sociedade de informação reproduz um modelo já existente, “uma sociedade projectada, como as antigas, por e para uns poucos: as ricas e poderosas classes, nações e regiões do mundo”, que cristaliza a informação como sua principal moeda de troca. Informação essa que é específica e especializada, podendo provocar entropia naqueles que não possuam os requisitos cognitivos e informacionais para descodificá-la , o que reforça a tendência de estabelecimento de um novo modelo de estratificação social baseado no conhecimento, e não na propriedade.
A tecnologia, aliada a factores político-económicos favoráveis, permite que as organizações descentralizem a sua produção à procura de vantagem competitiva em qualquer região do globo. As instituições financeiras monitorizam os mercados globais vinte e quatro horas por dia, detectando oportunidades e/ou riscos, na tentativa de maximizar os lucros no grande casino global. Por esta linha de análise, o que está em curso não é uma ruptura com o projecto de industrialização que se associou à modernidade, mas sim a sua (re)afirmação com base na crença de que a ciência e a tecnologia são elementos determinantes na sociedade do futuro.
Exclusão Digital : Os ricos e os pobres da actualidade.
A sociedade de informação cria e opõe dois grupos: os pobres e os ricos em informação. Enquanto os últimos celebram as potencialidades da sociedade de informação, os primeiros correm o risco de ficar à margem, visto que o meio onde estão inseridos não lhes possibilitam o pleno acesso à sociedade de informação. E se não for pensada uma forma de amenizar essas diferenças, as novas tecnologias de informação podem vir a aprofundar ainda mais o abismo entre estes grupos.
Sem uma info-estrutura que viabilize a inserção de todos no mundo virtual, a sociedade de informação estará para a maioria da humanidade muito mais próxima do mito que da realidade. Os países pioneiros na implementação da sociedade de informação estabelecerão a agenda a ser seguida pelos senhores que se seguem. Este diagnóstico é reforçado pelo crescente interesse dos governos em elaborar e implementar políticas de informação que visam principalmente o estabelecimento de uma infra-estrutura física de telecomunicações, promovendo a competitividade e o aumento da produtividade, assegurando uma estrutura de comunicação e informação barata e eficaz, que potencialize a inovação e a produção de conhecimento. Realce-se que enquanto que para os países desenvolvidos o estabelecimento de uma política de informação é uma estratégia para manutenção da sua hegemonia, para os países em desenvolvimento a sociedade de informação é a ponte a ser cruzada como estratégia de redução do abismo que os separa dos países desenvolvidos. A formação de uma força de trabalho “info-educada”, capaz de interagir com as ferramentas tecnológicas e desenvolver uma educação contínua (life-long-learning), emergem como factores preponderantes destas políticas de desenvolvimento.
As tecnologias de informação possibilitam o suporte técnico necessário para o aparecimento de novos padrões para a aquisição de bens e produtos (teleshopping, telemarketing, home-shopping), para transações comerciais e bancárias (comércio eletrónico, homebanking, telebanking), para comunicações (telemóveis, e-mail, videoconferência, voz sobre IP), para saúde (telemedicina), para educação (e-learning) e para o trabalho (teletrabalho).
Considerações finais
Efectivamente, a passagem para uma economia digital e baseada no conhecimento, impulsionada pela existência de novos bens e serviços, constitui um poderoso motor para o crescimento, a competitividade e a criação de empregos, com clara melhoria da qualidade de vida de todos os cidadãos.
Com efeito, o conhecimento adquirido com as novas tecnologias e processos é motor de crescimento, competitividade, gerador de novos empregos e factor de maior justiça social.
Contudo, o Conhecimento tem de ser tratado como parte da envolvente mais vasta em que crescem e operam os vários actores, quer entidades públicas quer privadas. Assim, dotar os indivíduos de competências adequadas é essencial para ultrapassar a exclusão e melhorar a coesão.
Neste contexto, a Sociedade da Informação introduz uma verdadeira mudança de atitude e um investimento sem precedentes na área das tecnologias de informação em todos os domínios da sociedade.Só com uma mobilização exigente e rigorosa de pessoas, organizações e sociedade em geral se consegueguirá ganhar a batalha do Desenvolvimento.






